Olá, chamo-me Sara Correia. Tenho 19 anos, e frequento a igreja Batista de Arruda dos Vinhos. Neste momento estou no 2º ano do curso de Reabilitação Psicomotora (RP) na Faculdade de Motricidade Humana, Universidade de Lisboa.
Nasci numa família cristã. Vou à igreja desde que estava na barriga da minha mãe. Sempre ouvi falar de Deus, do Céu e do Inferno.
Enquanto criança de (sensivelmente) 6 anos, o Inferno era algo que me assustava, eu não queria para lá. Por isso nessa altura “aceitei Jesus no meu coração”, convicta de que dessa maneira eu estaria livre do Inferno.
A verdade é que a minha verdadeira conversão só aconteceu mais tarde. Eu tinha “aceite Jesus” como forma de ficar livre do Inferno; somente por isso. Eu não compreendia o que era viver com Jesus. Muitas vezes eu parava para pensar “Porque eu tenho de ser boazinha? Porque não posso fazer o que os outros fazem? Espera. Eu não quero ir para o Inferno!”.
Com o passar dos anos comecei a compreender melhor a minha decisão, ao frequentar a igreja, acampamentos cristãos, falando com os meus pais, com o meu pastor, até os descrentes me ajudaram a perceber a minha decisão de viver para Jesus.
Deus já falou comigo de muitas maneiras. Uma delas, (e a primeira que mais me marcou) foi aos meus 15 anos, quando tive o meu primeiro namorado. Era descrente. No princípio não pensei que fosse algo errado, namorar com um descrente, quer dizer, eu não ia casar com ele, só tínhamos 15 anos. Mas os meses passaram, e as coisas começaram a ficar complicadas. Comecei a sentir-me muito triste e longe de Deus. As pregações na igreja coincidiam com a minha vida; o pastor dizia “Quem não tem Jesus, não anda na luz, anda nas trevas. Nós somos a luz porque temos Jesus, e não há comunhão entre a luz e as trevas.” Eu chorava muito à frente do meu namorado, por olhar para ele e saber que estávamos em “sítios” completamente diferentes. Muitas vezes conversávamos sobre Deus, e acabava sempre em ficarmos ambos desapontados por não chegarmos a um acordo. Não havia comunhão espiritual.
Então eu percebi que Deus não queria aquilo para mim, e eu fiz o que tinha de fazer, acabar com aquele relacionamento e decidir que não iria voltar a namorar com um descrente.
Desde aí quis fazer de tudo para estar mais perto do Senhor e do ministério. Comecei a participar mais nas atividades dos jovens da minha igreja, no louvor, nos acampamentos. Apercebi-me que o devocional diário é extremamente importante, e infelizmente, ainda falho muito nesse campo, é uma luta constante desde sempre na minha vida. Percebi também que a salvação não é apenas decidir um dia que Jesus entrou no meu coração, mas sim arrependimento diário pelos meus pecados e um relacionamento permanente com Deus que se mantém pela leitura da Sua Palavra e pela oração. É uma mudança genuína de vida.
Entretanto, ao acabar o 12º ano, a minha preocupação seguinte era: o que fazer agora? Muito provavelmente iria para a faculdade. Mas estudar o quê? A minha mãe estava mais entusiasmada que eu com tudo isto, e foi ela quem me mostrou o curso em que estou agora. Mas claro candidatei-me a mais coisas, ainda que muito perdida na escolha. Para verem o quão perdida eu estava, na minha candidatura constavam os seguintes cursos: Reabilitação Psicomotora (1º opção), Produção Alimentar em Restauração, Gestão Turística e Hoteleira, Línguas, Literaturas e Culturas e Animação Turística (última opção). Eu não fazia ideia do que queria, e também não sabia o que Deus queria para mim. Por isso orei para entrar na faculdade e no curso que Deus quisesse, fosse ele qual fosse. Eu nem sequer tinha média suficiente, mas graças a Deus, entrei em RP. Estou muito feliz com o que estou a estudar, porque sei que poderei ajudar outras pessoas e inserir a minha profissão no ministério.
Ao iniciar os meus estudos na faculdade, tive algum receio com as influências e os ambientes, mas Deus nunca me desilude. Encontrei três pessoas, que neste momento são das minhas melhores amigas, sendo que uma delas é crente. Tenho um grupinho na faculdade de crentes com quem converso e almoço de vez em quando (chamamo-lo de Núcleo GBU-FMH), e vou frequentando o GBU (para quem não sabe, Grupo Bíblico Universitário). Durante a semana também vou visitando as reuniões de oração dos jovens da Igreja Batista de Linda-a-Velha (que sempre me recebem muito bem, como se fizesse parte do grupo desde sempre), visto que, por estar a viver em Lisboa de segunda a sexta, não posso frequentar as da minha igreja.
Para finalizar, agradeço muito aos meus pais e ao meu pastor, que são pessoas que desde sempre me ajudaram, aconselharam, apoiaram e fazem parte de quem sou hoje e de todo o meu processo até agora. Amo-os muito. E ao meu Deus, que nunca me deixou, mesmo quando eu o deixei a Ele. Nunca me negou força, e sempre me ajudou a lembrar que a força está apenas n’Ele”. Posso todas as coisas naquele que me fortalece.” Filipenses 4:13.

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